Abril 06, 2006

Independência Frustrada

Somos mulheres, FINALMENTE! Acabado o 12º ano a olhar para as pautas de colocação nas Universidades, foi exactamente o que pensámos. Os planos brotam nas nossas mentes maquiavélicas e os nossos olhos já desenham o nosso percurso para a liberdade total… Lisboaaaa!!!

Acabadas de chegar da Santa Terrinha, olhamos para um novo mundo à nossa frente e vemos: carros… prédios… carros… prédios… cafés…pessoas e pensamos: noite… copos… GAJOS!!! Mas vocês acreditam mesmo que os vossos pais são tão insensatos como vós na idade de “eu sou mulher independente a viver às custas dos pais”??? Pois… nós acreditámos! Mal… Mal pensado!

A velocidade do transporte abranda, carregado de malas cheias de coisas úteis (para quem não sabe, refiro-me a saínhas, topzinhos, missanguinhas, sapatinhos e, mais malinhas) e começa a surgir no horizonte, o local de destino. Instituição de Correcção e Aprendizagem de Boas Maneiras FEMININA?!? Mas está tudo LOUCO?!?!? Eu não quero vir para aqui!!!!

Lá se foi por água abaixo a ideia de mulher independente, quando oiço uma voz grossa afirmar: “ Enquanto viveres sobre o meu tecto, às custas do meu dinheiro, minha filha… reges-te segundo as minhas regras!” Pois é verdade, sim senhor! E ali fiquei, cabisbaixa, largada à porta de Alcatraz.

Entro. Olho desconfiada para todos os cantos na ânsia de ver aparecer uma velha de régua de metro e meio em punho, a pedir para voltar as palmas das mãos para cima, pois vinha vestida de forma imprópria para uma mulher que se dê ao respeito. Não apareceu nenhuma velha, é certo, mas a peça que surgiu também não se veio a revelar muito melhor.

Desterrada na famosa Cela 5A, reparo no corredor do desespero. Afinal não estou só neste Centro de Correcção Juvenil, pensei. E os meus pais não são os únicos sensatos no mundo, conclui. A partir deste momento, começaram as histórias...